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terça-feira, 31 de maio de 2011

31 DE MAIO DE 2011: MEU ANIVERSÁRIO.



31 de maio de 2011.

“Acorda, mãe!
Parabéns, ‘véia’...
Te amo, sabia?”


A gente combinou, ainda outro dia que, a partir daquele momento, nenhuma data especial passaria por nós sem a merecida comemoração.
Hoje, 31 de maio de 2011, meu aniversário, não tenho você pra brigar com seu irmão pelo último brigadeiro...
Não tenho você pra me dar um abraço descabelado nem um beijo com a ‘boca dormida’ antes de eu ir trabalhar.
Não tenho você pra dizer que pode faltar à aula, afinal, vamos pedir pizza porque é meu aniversário, e não importa se é terça, quarta ou quinta... Aniversário é sinônimo de pizza e ‘enforcamento de aula’. Sempre!
Cadê você pra me fazer ir até o portão de pijama e toalha na cabeça só pra ganhar um abraço dos meninos da rua?
Ah Bi... Esse meu aniversário estava sendo tão aguardado por nós duas...
A gente tinha um plano pra esse dia!
De todas as possibilidades consideradas pra que nada desse certo, nenhuma delas incluía não ter você viva ao meu lado.
Essa foi a maior rasteira que levei da vida.
Não tenho como apagar do calendário essas datas importantes, assim como também não tenho como apagar do meu coração todo o amor que sinto e toda a revolta que carrego.
Hoje, é meu aniversário.
Amanhã, será o seu.
Amanhã, 01 de junho de 2011, completará três meses que vc foi assassinada.
Três meses que durmo e acordo com a mesma imagem na cabeça: o caixão sendo fechado e, em seguida, sendo colocado no túmulo... Sua irmã no meu colo, agarrada ao meu pescoço... Eu sentada em cima do túmulo todo molhado pela chuva... Seus amigos chorando e olhando pra gente...
Preciso me manter forte pelos seus irmãos.
A Ivy, hoje, certamente fará várias cartinhas de aniversário e respirará o ‘dia festivo’ como ninguém. Ela ama aniversários!
Sou muito grata ao amor que recebo diariamente dos seus irmãos.
Nos apoiamos para que tenhamos força de continuar seguindo sem você.
Espero, profundamente, que o atropelador morra em seu remorso...
Que ele acorde, todos os dias, se olhe no espelho e deseje a própria morte pela infelicidade que trouxe às nossas vidas.
Que a imagem do teu rosto o atormente 24 horas por dia.
Que a cada vez que ele olhar pra filha adolescente dele, chore copiosamente pensando na menina linda que ele matou ao invadir a calçada com seu carro.
Eu carrego uma dor de saudade, dor de amor, amor de mãe...
Mas ele há de carregar, pro resto da vida, um outro tipo de dor.
A dor de ser um assassino.
Que fique claro que não sou movida pela revolta que sinto, pois tenho muito a construir e reparar ao lado dos teus irmãos.
Mas que ninguém me peça pra perdoar, porque isso, minha querida, eu realmente nunca serei capaz de fazer.

Eu te amo, minha loira-gêmea...

sábado, 28 de maio de 2011

HOMENAGEM


Quero colocar aqui o link da homenagem que o Vini fez pra você no primeiro programa que gravou para o Miscelânea após o acidente (04/03/11).
Ele é um querido, pessoa que eu amo demais...


www.miscelaneapop.blogspot.com


Obrigada, vida...

quarta-feira, 25 de maio de 2011

MEUS DIAS INTERMINÁVEIS


Amor da minha vida...
Meus dias têm sido intermináveis sem você.
Tem horas que, sinceramente, não dá vontade de ser simpática com as pessoas, sabe...
Tem horas que só tenho vontade de me enfiar num buraco e ficar sozinha.
A vó Dette chora todas as noites, religiosamente no mesmo horário.
Ela chora somente à noite porque, graças aos seus irmãos, durante o dia ela mantém a cabeça ocupada.
Se ocupa com o Nícollas, que larga tudo jogado pelo apartamento... Se ocupa com a Ivy, que tem tido medos constantes, daqueles que a fazem pedir companhia até para ir ao banheiro!
Tão difícil...
Mas a dor nos une mais e mais a cada dia.
A dor que a gente sente se funde ao amor que predomina entre nós: eu, o Nícollas e a Ivy.
Tenho falado com o Matheus Jr. constantemente. Esse menino te ama tanto...
Você não pode imaginar como sua partida mexeu com a vida das pessoas.
O mais incrível é ouvir, da boca dos seus amigos, coisas que nos eram tão íntimas e que você compartilhou com eles com tanta fidelidade.
Ouvir o Matheus falar das coisas que você se queixava que aconteciam em casa, me deu a triste certeza de que nunca exagerei nem mesmo uma vírgula quando falei a respeito.
Pena eu não poder fazer com que seu pai entenda certas coisas...
Tem sido curioso, mas tenho falado com pessoas que nunca imaginei... Tenho apaziguado aflições de tantos adolescentes que te conheciam, e de tantos outros que não tiveram tal oportunidade, mas que, de certa forma, sentiram o baque da sua partida.
Adolescentes não foram feitos para morrer.
A morte, quando se tem 15 anos, é uma coisa tão irreal...
Estar em contato com outras tantas pessoas que conviviam com você, me atiça a vontade de fazer você ouvir aquela frase insuportável que nenhuma mãe resiste em dizer:
“Eu sabia! Eu te falei!”
Mães ‘biônicas’(lindas e deliciosas) como eu, dona Bianca, têm a visão além do alcance.
Eu sempre tive razão, e você sabia disso!
Sabe aqueles que eu dizia não gostar?
Pois é... Continuo não gostando, e olha que me esforcei muito pra poder dizer o contrário!
A carta que você escreveu pro Ju, há exatos 10 dias antes de morrer, cuidei para que chegasse às mãos dele através da Lau.
Através da nossa Lau, ele também soube que não tínhamos mais você.
Você tentou amenizar uma situação pra não me aborrecer e eu, gentilmente, fingi acreditar pra não brigar contigo.
Você era foda, minha loira...
Agora, vou tomar um banho, colocar meu pijama e ficar aqui sem fazer nada...
Vou ficar imaginando o que estaríamos fazendo se você estivesse na sala ao meu lado.
Provavelmente estaríamos falando mal de alguém...
E, quando me der conta de que você nunca mais se sentará ao meu lado no sofá pra compartilhar comigo uma sessão de ‘besteirol’, provavelmente essa constatação me fará chorar muito.
Mas prometo chorar baixinho, bem baixinho, pra você não me escutar...
Te amo demais!

terça-feira, 24 de maio de 2011

TIA ERIKA E CIA.



A tia Erika foi a primeira pessoa que escolhi ligar quando soube do atropelamento.
Achei que ela fosse a pessoa mais sensata pra me ajudar naquele momento a contar ao restante da família o que havia acontecido, apesar de correr o risco de ser traída por sua hipertensão.
Foi o que aconteceu: sua tia foi parar no hospital e, eu, passei a ter duas preocupações.
No velório, ela não queria te ver. Achava que ia ficar com uma imagem ruim por te ver morta.
Fiquei brava com ela, mas acabei convencendo-a de que você estava tão linda que não havia motivos para não vê-la.
Depois de mim e dos seus irmãos, a maior dor certamente é a dela.
Você não acreditaria, mas ela virou a tia predileta de 10 entre 10 amigos seus... Uma louca!
Outro dia, olhando o caderno do Matheus, ela encontrou esse desenho:


Como é difícil fazer os pequenos compreenderem a morte...
A Fernanda sempre pergunta: ‘Cadê a Bianca? Ela tá no céu?’.


Difícil vender uma coisa que a gente não compra: a SUA morte.
A tia achou também, num bloquinho qualquer perdido na casa dela, um pequeno desabafo da imensa dor do tio Emerson:


Pessoas que a gente sempre amou, né?
O tio não sabe o que fazer pra distrair seus irmãos e mantê-los ocupados com coisas que os façam mudar o foco por alguns momentos.
Domingo passado fiz panquecas com molho branco lá na casa da tia, comidinha que você era apaixonada...
Faltou você ali, aliás, sempre falta você...


Como eu queria ter poderes...Como eu queria...
Se eu tivesse poderes, você estaria aqui com a gente...
Te amo, vida...

segunda-feira, 23 de maio de 2011

SÓ A GENTE ENTENDE


O primeiro item, era nossa prioridade.
Casa nova, pra nós, era sinônimo de paz, não necessariamente de um novo espaço físico.
Só a gente sabe o sentido dessa listinha que você fez.
Eu te prometo, anjo... Tudo vai dar certo pra nós, do jeitinho que você sonhava...

domingo, 22 de maio de 2011

PRIMEIRO A MAMÃE. SEGUNDO, A TATA


Ontem fomos na casa da tia Erika, e a Ivy fez questão de vestir sua blusa de frio que, incrivelmente, serve tão direitinho nela.
De imediato, se lembrou que você tinha uma foto com uma 'touca de pelinhos', e quis por que quis tirar uma foto como a sua.
Ela anda com idéia fixa em ser exatamente igual a você, ensaia seus biquinhos, pede pra usar suas maquiagens...
Ela te ama tanto, sofre tanto...
Ela sempre disse que você era a segunda mãe dela, e você se enchia de orgulho por isso.
Essas são as fotos que ela sonhou tanto em tirar só pra provar que ela é, sim, uma 'Bianquinha".
E ser uma 'Bianquinha', com toda certeza, é motivo de muito orgulho pra nossa pequena.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

SONHEI COM VOCÊ


Vida da mamãe...
Preciso confessar que perdi um pouco o controle esses dias.
Eu e a Ivy invertemos os papéis.
Estava com ela na sala, na hora da novela, e comecei a chorar um chorinho bem quietinho.
Ela, ligeira que é, na primeira 'chupada de nariz' que dei, cruzou os olhos com os meus e me deu o maior flagrante!
Tratei de me justificar antes que ela me desse uma bronca (afinal, você não quer que a gente chore, lembra?).
Falei pra ela que era só uma lagriminha de saudade e que, naquele momento, era o meu coração que estava precisando esvaziar um pouquinho de tanta saudade que tinha lá dentro.
Diante disso, ela tratou de sentar no meu colo e dizer pra eu abraçá-la bem forte até que nossos corações ficassem bem coladinhos.
Essa é a técnica que uso com ela, digo que dois corações coladinhos ficam felizes mais rápido.
E assim foi feito!
Ontem, passei em frente ao cemitério.
Há dias tenho tido vontade de ir até lá mas, ao mesmo tempo, isso não faz muito sentido pra mim.
Pensar que seu corpo está ali, enterrado, me deixa louca.
Sinto vontade de quebrar tudo, tirar você de lá e te fazer viver de novo.
Essa noite, você me visitou.
Me disse algo sobre seu pai, e depois me perguntou o por que de eu te olhar com tanta insistência e emoção.
Respondi que era porque estava esperando essa visita há tempos, mas que sabia que você tinha que ir embora logo e que demoraria para vê-la novamente.
Estávamos caminhando.
Você enroscou seu braço no meu (como sempre...), deitou a cabeça no meu ombro e disse:

'- Para com isso, mãe, eu sempre virei te visitar...'

Eu acredito em você.

domingo, 15 de maio de 2011

FILMANDO A IVY, SEU AMOR


Na Castelo, vindo pra São Paulo, vc filmou a Ivy com o celular da Nakamura.
Nossa pequena cantou pra você, e todos nós morremos de rir com ela...



Só postei o vídeo aqui porque seus amigos visitam esse espaço, e todos eles também são loucos pela nossa menininha...

Beijos...

sábado, 14 de maio de 2011

PEDACINHOS DE VOCÊ


E de todas as noites em que você tomou conta do meu quarto e do meu computador, de todas as noites em que você brigou com seu irmão por ficar batendo portas e atrapalhando você, ficaram algumas recordações perdidas na memória do seu celular.
Recordações que, por descuido seu (e para minha glória de mãe...), não foram apagadas.
Divido aqui, com aqueles que sentem falta de ouvir sua voz, seja falando, reclamando, cantando ou brigando, os áudios que o Nícollas encontrou no seu celular.

(Ouçam com fones, pois os áudios têm muitos chiados)










PS: Eu te amo...

sexta-feira, 13 de maio de 2011

NOSSAS UNHAS, NOSSOS XODÓS...



De todas as minhas coisas que você usava, aquela que mais provocava brigas era minha caixinha de esmaltes.
Como eu detestava...
Quantas vezes dei o flagrante em você cortando as unhas dos pés com meu alicatinho de cutículas?
Só quem é mulher pra saber a 'tragédia' que isso significa!
Na véspera do acidente, pintei as unhas de preto.
Você sentou ao meu lado no sofá e perguntou:

- É o 'Rock'?

- É.

- Tá lindo!


Na mesma hora, olhei suas unhas.
Elas estavam pintadas de vermelho, mas já estavam descascadas.
Não resisti:

- Bi, 'pelamordedeus', tá parecendo mão de lavadeira! Tire esse esmalte, tá ridículo...

- Ah, mãe, não enche... Amanhã eu arrumo!


Medimos o tamanho das nossas mãos, caímos na risada por você ter mãos maiores que as minhas...
Você tinha tido um pouco de febre aquele dia (27/02/11), estava bem gripada e, com isso, sem ânimo.
Ficou em casa o dia todo (coisa rara num domingo).
No dia seguinte, toda aquela correria que resultou no que todos já sabem.
No hospital, notei que haviam tirado seu esmalte, pois a ponta dos seus dedos estavam levemente avermelhadas.
Quando voltei pra casa, depois do seu enterro, olhei minhas próprias mãos e estavam bem piores que as suas naquele domingo.
Pensei no quanto isso a desagradaria, você adorava minhas unhas bem feitinhas.
Peguei minha caixinha e, quando a abri, encontrei um chumacinho de algodão manchado de esmalte vermelho.
Esse chumacinho que aparece aí na foto.
No dia do acidente, antes de sair pra me encontrar, você refez suas unhas descascadinhas só pra me agradar...
Chorei quando abri minha caixa, porque aquele algodãozinho sujo e ali esquecido, era a última coisa que você deixara em desordem.
Eu o guardo até hoje, no mesmo compartimento da caixa.
Consegui lavar suas roupas, guardá-las em uma mala, separar suas bijuterias, uso algumas até... Mas não consigo me desfazer desse montinho de algodão sujo.
É como se fosse a última prova de um agrado seu pra sua mãe...
E eu te amo por isso...

quarta-feira, 11 de maio de 2011

SORRINDO COM OS OLHOS


Estava vendo suas fotos hoje...
Essa, em especial, me fez chorar.
Dei um zoom nos seus olhos, conversei um pouquinho com você, e quando me dei conta, você estava sorrindo pra mim!
Não posso chorar diante desses olhos felizes, não é, minha flor?
Esse era o sorriso dos seus olhos diante de uma panela de brigadeiro, de uma roupa nova ou de uma notícia boa...

Pedaço de mim... Meus olhos não aprendem com os seus!
Eles ainda choram.
A saudade é imensa e, o amor, infinito...

domingo, 8 de maio de 2011

DIA DAS MÃES



Dia 08 de maio de 2011.
Dia das mães.
Estamos há 69 dias sem você.
Enganou-se quem pensou que hoje seria um dia pior pra mim por ser o 'dia das mães'.
Se você estivesse viva, se tivesse trocado o almoço do dia das mães por qualquer outra coisa, teria, sim, feito de mim uma mãe furiosa.
Teria transformado meu 'dia das mães' no pior dia da minha vida por ter optado em não estar comigo.
Lamentavelmente, você não teve opção.
Não estar comigo hoje, não foi uma escolha sua.
Por essa razão, hoje foi um dia como outro qualquer.
Um dia como todos ou outros 68 dias sem você no meu colo...
Acordei duas vezes durante a noite sentindo você comigo.
Hoje, almoçamos na vó Nilza.
Seus irmãos estavam comigo.
Você sabe que o dia das mães tem um significado especial pra Ivy, então tentamos fazer com que o dia fosse de fato especial.
E foi.
Ontem, a tia Erika, que a gente tanto ama, me deu uma lembrancinha com um cartãozinho que dizia algo como:

"... pela mãe que você É para a Ivy e o Nícollas, e pela mãe que você FOI para a Bianca..."

É quando aquela consciência do NUNCA MAIS toma minha cabeça e eu caio em desespero.
Não sei se sou de fato forte, como as pessoas acreditam que eu seja, ou se sou uma boa fingida!
Mas tenho tentado minimizar a dor da perda diante dos seus irmãos e também a preocupação das pessoas com a gente.
A dor está aqui, morando no meu coração... E todos os dias do resto da minha vida serão doloridos sem você, seja dia das mães, ou não.

TE AMO ENLOUQUECIDAMENTE, MINHA DELICINHA...

sábado, 7 de maio de 2011

quinta-feira, 5 de maio de 2011

RASTROS

Que coisa louca!
Hoje aconteceu uma coisa aqui em casa que não vou postar pra não ficar rotulada como louca, mas foi uma coisa bem esquisita...
Coincidência, ou não, hoje foi um dia em que me senti estranhamente feliz e leve.
Pensar nela o dia todo faz parte de mim, não há como ser de outra forma.
Viro a internet do avesso, leio o que os amigos dela escrevem nos fotologs, comunidades, leio os emails solidários que me são enviados... Enfim, quem procura, acha!
Ela tinha um perfil no FORMSPRING, que é como aquelas enquetes que respondíamos em cadernos no passado, só que muito mais ousado e exposto.
Tenho um 'forms' também, porque talvez eu seja a única mãe sem noção do planeta...
E hoje, mesmo estando em estado de graça 'de graça', sentei aqui e fiquei lendo, lendo, lendo, até que me deparei com isso aqui:



Não sei o que comentar sobre isso.
Aliás, não vou comentar.
Vou colocar umas outras coisinhas que achei, só pra me envaidecer um pouquinho pela mãe que eu fui pra ela:








terça-feira, 3 de maio de 2011

OS OUTROS SINAIS


Ontem, não conseguia dormir...
Pensei tanto em você que podia ouvir meu coração batendo nos ouvidos enquanto brigava com a insônia.
Tum... Tum... Tum...
Batimentos que busquei no teu peito após receber a notícia da tua morte.
Não quero pensar mais nisso, mas não consigo apagar a lembrança terrível do teu corpinho sem vida.
Quando você era pequena, tinha a respiração oral por causa de uma bronquite que me tirava o sono.
Dormia com a boca aberta.
Acho que toda mãe, com o filho tendo bronquite ou não, acorda vez ou outra no meio da noite pra velar seu sono.
Na verdade só queremos nos certificar de que eles estão vivos. Respirando...
Quando o médico deu a notícia da tua morte, eu quis vê-la.
Ainda na UTI, cobertinha com um lençol e com uma gaze umidecida sobre os olhos, olhei teu rosto sem viço e falei no teu ouvido: ‘Como vou viver sem você?’
Puxei um pouco o lençol e ‘inspecionei’ você.
Olhei teu tórax, esperando que se elevasse num suspiro.
Não aconteceu.
Coloquei a mão no teu peito e busquei teu coração.
Não o encontrei.
Velei você por um instante e entendi, melhor que antes, o motivo que me faz não crer em Deus.
A dor de pensar no teu enterro, as lembranças das visões que tive sobre tua morte e os acontecimentos que a ela antecederam:

TEU SONHO.

• Teu velório que sempre vi... Eu sempre soube que passaria por essa dor...

• Tuas fotos no meu computador que me fizeram chorar no momento em que as vi. Era como um portifólio a ser analisado para selecionar a melhor para teu memorial...

• O álbum de fotos que caiu da prateleira em cima de mim e que, quando recolhi do chão, estava aberto na única foto em que teu bisavô tinha você nos braços. Meu pensamento imediato foi o de que você seria amparada por ele em algum momento. E chorei no quarto...

• A pergunta da Ivy sobre se você tinha medo de morrer. Você disse que não tinha, pois todo mundo morre um dia. Lembro-me dela ter dito, no mesmo momento, que também não tinha medo de morrer, mas tinha medo de morrer antes da hora, de morrer criança...

• Seus sonhos repetidos dos últimos dias, onde alguém a perseguia e a jogava num lugar escuro. Você dizia que me chamava no sonho e ficava preocupada com a Ivy (que estava com você). Eu não estava lá... (assim como no dia do acidente...)

• Os vultos que vi em casa. Os que você viu também...

• Nossa caminhada da sexta à noite (25/02/11).
Você enganchou seu braço no meu e pediu pra subirmos na calçada, pois tinha medo de ser atropelada. Eu, com bom humor, disse que se alguém nos atropelasse, que o fizesse direito, pois se eu me levantasse, seria pra matar o desgraçado. Você riu, brincou comigo dizendo que tinha uma mãe pitbull, e fomos pra casa dormir...


Tudo isso começou a acontecer cerca de uns 15 dias antes de você partir, exceto a visão do teu velório, pois esta sempre me acompanhou.
Vai ver, foi por isso que sempre fiz tudo por você.
Vai ver, não foi à toa te ter sempre como minha prioridade.
Tentei permitir que vivesse tudo tão intensamente na sua breve vida, e acho que consegui...
Não acredito em ‘vontade de Deus’, nem naquela frase que as pessoas insistem em me dizer de que ‘Deus sabe o que faz’.
Quando qualquer uma dessas pessoas que me condenam por não crer, perder um filho do jeito que eu perdi, aí quero ver aplicar ao enredo da própria dor aquilo que martelam em meus ouvidos.
Teoria e prática não são exatamente a mesma coisa...

PS: eu te amo...