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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

NOSSA ÚLTIMA BRIGA


18 de fevereiro de 2011: a data da nossa última briga.
Não só a última mas, também, a pior delas...
Me lembro como se fosse hoje!
Como se você tivesse vontade de me contar algo e te faltasse coragem, escreveu, num caderno, páginas e mais páginas sobre uma coisa da qual não quero me aprofundar aqui.
Não sei se de caso pensado, ou se por obra de um descuido, deixou o caderno em cima da minha cama antes de sair de casa.
Se o caderno estivesse entre suas coisas, jamais leria o que havia escrito ali.
Mas não estava!
Você não estava bem naquele dia, estava estranha. Ficou escrevendo por horas sentada em minha cama...
Quando terminou, saiu pra encontrar suas amigas e o caderno acabou ficando ali, em cima do meu travesseiro.
Não me passou pela cabeça ler o que você escreveu, tanto que peguei o caderno na mão, coloquei em outro lugar, depois o peguei novamente para colocar no seu quarto.
Foi quando um 'estalinho' aconteceu e decidi fazer aquilo que nunca havia feito: ler algo escrito por você sem o seu consentimento.
Me surpreendi negativamente em cada palavra que li.
Te odiei a cada linha.
Como você pôde ser tão estúpida?
Nessa época, andei tendo uns picos hipertensivos e você estava preocupada comigo.
Assim que terminei de ler tudo, te liguei imediatamente mandando voltar pra casa.
Só mandei voltar pra casa sozinha e desliguei o telefone sem maiores explicações.
Sabendo que eu havia passado parte da tarde em observação no pronto socorro, você voltaria sem demora.
Preocupada, me ligou 9 vezes em seguida.
Não atendi... Queria falar olhando na sua cara, não pelo telefone...
Quando você chegou, desesperada, achando que eu estava passando mal, me encontrou sentada aos pés da minha cama, com seu caderno nas mãos e ofegante como um bicho bravo.
A conversa que se seguiu foi uma conversa que jamais sonhei ter com você. Não com você!
Entre tantas coisas ditas e tantas lágrimas que choramos, disse que, naquele dia, naquele minuto, havia escorrido pelo ralo toda a confiança cega que eu tinha em você.
Foi bem tenso...
Dia seguinte já te amava de novo...rs
Nossas brigas nunca viraram a meia noite, nunca dormimos sem nos beijar, sem nos abraçar... Nunca!
No dia seguinte fomos ao oftalmologista, descobrimos que você estava míope e rimos da situação.
Você dizia que, há tempos, não enxergava tão bem como no momento do exame de vista quando a médica ajustou o grau das lentes!
Nós duas, na sala de espera da policlínica, irritando a Ivy até ela chorar porque nenhuma de nós a pegava no colo e não havia lugar pra ela sentar! Como ficou brava!
O calor daquele dia...
O pastel de queijo da Pastelândia do Extra...
A caminhada que fizemos até lá, mortinhas de fome!
E em cada carro que passava ao nosso lado na rua, tinha um engraçadinho que mexia com você.
Eu, claro, dizia que eles também eram míopes, porque a linda da história era eu...
Como a gente ria!
E quando, em algum lugar, alguém te ouvia me chamar de mãe, era sempre um espanto seguido de uma mesma conversa, gravada na ponta da minha língua:

- Vocês são mãe e filha?

- Ahãmmmm...

- Nossa, não parece... Parecem irmãs, você é tão nova!

- Eu sei, mas a mãe não sou eu. É ela!


E acho que, no fundo, é assim que me sinto.
Órfã.
Completa e absolutamente órfã de você.

Eu te amo!

9 comentários:

  1. Como é dificil ler e não se emocionar, dificil também é não tentar imaginar a sua relação com a Bianca, quanta falas perdidas nesse tempo, quantos sonhos destruidos e risos deixados para trás por causa de um infeliz que não soube conduzir aquele fusca com precaução... Qual está ssendo o peso na consciencia desse ser ambulante se é que tem !!luciana_ferreira26@hotmail.com
    fico perdida ao querer expressar a minha indignação aqui Gabi, quero que saiba que eu entre muitos estamos torcendo justiça, isso não pode ficar impune não mesmo... um grande abraço.

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    1. Lu, obrigada pela torcida e pelas palavras...
      Bjs

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  2. eu acabei de ler isso, e estou me levantando pra ir dar um abraço na minha mãe. cada palavra que voce usa é uma emoção, um arrepio. TODOS NÓS QUEREMOS JUSTIÇA<3

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    1. Faça isso todos os dias... Várias vezes por dia ou quantas vezes você puder!
      A vida da gente é um sopro, e se esse sopro for cheio de amor, aí sim valerá a pena...
      Bjs

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  3. oi gabi, eu li seu blog inteirinho, palavra por palavra, letra por letra, eu não posso dizer que entendo a sua dor, pois não entendo, eu não passei por isso. Por isso te admiro de coração, pois és uma mãe forte, querendo justiça e paz, querendo sua filha de volta em seus braços, mas sabe que não pode ter ela de volta, então você tem toda a minha admiração, continue forte, e lute, pois nenhuma luva vai em vão e sempre trás resultado.. Deus está com você, mesmo você negando pela dor que sente pela morte de bianca. Uma mãe nunca esquece da perda de sua filha, e também nunca se esquece do amor e do carinho que sente por ela todos os dias. Sua dor deve ser inexplicável, mas o tempo vai curar tudo, o tempo vai cicatrizar as feridas, mas mesmo assim as feridas não vão estar fechadas totalmente, pois você sempre levará contigo as memórias e os momentos vividos, e isso sempre que lembrado a ferida se abrirá mais, e assim demorando para cicatrizar, mas depois de muito mais muito tempo você lembrará de bianca e não sentirá a dor que sente hoje, depois de muito tempo você começará a sentir compreensão, e não angústia, sentirá saudades é claro, mas aquela saudade boa, pois sabes que sua filha está em um lugar melhor, um lugar onde não tem preocupações. Todas minhas dores não se comparam as tuas, então todos os meus pêsames a ti. Uma mulher de garra, uma mulher de respeito, uma mulher batalhadora, uma mãe. A justiça será feita, paciência e fé em Deus. Que suas dores sejam amenizadas, que sua fé seja aumentada, que sua luta e a justiça sejam feita, que Deus te abençoe, e acima de tudo que Deus esteja com você. Não sei o que dizer, mas uma mãe ama acima de tudo assim como você amou bianca até o último segundo. beijos minha xará . Gabi .

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Gabi, não há um dia que eu não entre aqui para ver novas publicações.. E não há uma nova publicação que não me faça chorar.
    Eu amei te conhecer, embora tenhamos nos falado tão pouco. Se eu pudesse, roubaria essa sua dorzinha e jogaria fora! Mas não posso.
    Não vou lhe dizer do tempo, de Deus, e outras coisas mais que não irão amenizar sua dor. Pelo pouco que lhe conheço, isso lhe deixaria fuuuuuriosa!
    Eu já lhe parabenizei, já elogiei, já ri contigo, e acho que nada mais justo do que desejar que você continue essa mulher forte, sempre.
    Embora haja as recaídas, sabemos o quanto você está sendo "equilibrada" diante a isto tudo.
    Parabéns, meu amor, pelo teu caráter, tua força, tua sabedoria e por este amor interminável que sente por nossa Bianca.
    Em meio as tuas palavras, derramo minhas lágrimas, e peço para Deus cuidar dela, seja aonde for.
    Gostaria de lhe dar um grande abraço, mesmo sabendo que isso não mudaria nada...

    Bi, esteja em paz. A justiça será feita... É o mínimo que poderia acontecer!

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  6. acho lindo oq vc escreve sobre sua filha todos os dias leio seu blog

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  7. Oi Gabi leio sempre suas postagens mas só agora tive coragem de escrever algo.Quero que saiba que mesmo não sendo tão próximas,torci muito para que tudo que estava acontecendo fosse somente um susto.Lembro que me sentava no seu antigo lugar " findos mundo" como você costumava dizer.Vi sua reação após o telefonema e fiquei sem ação vendo pessoas tentando te acalmar sem saber direito o que estava acontecendo..Hoje sou mãe e não me imagino sendo tão forte assim como você é ou precisa ser.Sei que você tem amigos mais pode ter certeza de que mesmo de longe estou te acompanhando e pronta para o que precisar.

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